segunda-feira, 18 de junho de 2018

Rainha dos bolos

Há cerca de três anos, quando precisou fazer um bolo para comemorar seu aniversário em um café da tarde com as amigas, EDMARA (foto acima) descobriu ter um grande talento. Não sabia confeitar, mas pesquisou na Internet e o resultado foi tão bem-sucedido que ela passou a fazer os bolos dos aniversários da família inteira. Divulgou as fotos nas redes sociais e o negócio, iniciado na garagem de casa, ganhou o mundo. Começaram os cursos e a marca MARA CAKES virou referência no segmento de confeitaria artística. Aos 38 anos, já publicou dois livros de receitas de sua autoria e um DVD com mais de 30 vídeo-aulas. Nesta quarta-feira, 20/06, a confeiteira vai ministrar curso em Ilhéus, das 13h às 18h, no Hotel Barravento. +info: (11) 98744-1868.

Foto Divulgação

sábado, 16 de junho de 2018

Escolhi esse artista brasileiro para encerrar a série Cozinha Artística porque sou totalmente apaixonado por sua obra. Fiz inúmeras pesquisas, no entanto não consegui descobrir suas predileções à mesa. Então pensei: como ele frequentava os almoços na casa de Jorge Amado e ilustrou o livro Dona Flor e Seus Dois Maridos, devia gostar da Moqueca de Siri Mole (receita abaixo) descrita na famosa obra literária. Segundo Dona Flor, da Escola de Culinária Sabor e Arte, “esse prato fino, requintado, da melhor cozinha, quem o fizer pode gabar-se com razão de ser cozinheira de mão cheia. Mas, se não tiver competência, é melhor não se meter; nem todo mundo nasce artista do fogão”.
Floriano Teixeira criou belíssimas ilustrações para outros livros de Jorge Amado: A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água, O Menino Grapiúna, O Milagre dos Pássaros e Tocaia Grande. O internacionalmente consagrado escritor baiano elogiou o amigo artista dizendo que ele “enriqueceu a humanidade baiana, engrandeceu nossa arte, deu-lhe a dimensão, o gosto do detalhe _certos quadros seus são trabalhos de um miniaturista”.
Nascido no Maranhão, Floriano viveu no Ceará e em 1965 aportou na Bahia, de onde nunca mais saiu. Pintor, desenhista, gravador e escultor autodidata, fincou suas raízes nordestinas no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. “Sua obra é de comovente beleza”, resumiu o vizinho, amigo e parceiro Jorge Amado. 

Moqueca de Siri Mole
Para 8 pessoas

Ingredientes
1 xícara de leite de coco puro, sem água
1 xícara de azeite-de-dendê
1 kg de siri mole

Para o molho
3 dentes de alho
Sal a gosto
Suco de 1 limão
Coentro, salsa, cebolinha verde
2 cebolas
½ xícara de azeite doce
1 pimentão
½ kg de tomates

Para depois
4 tomates
1 cebola
1 pimentão

Modo de preparo
Ralem 2 cebolas, amassem o alho no pilão (“são frutos da terra, perfumados”). Piquem o coentro bem picado, a salsa, alguns tomates, a cebolinha e meio pimentão. Misturem tudo em azeite doce e à parte ponham esse molho de aromas suculento. 
Lavem os siris inteiros em água de limão, lavem bastante, para tirar o sujo sem lhes tirar porém a maresia. E agora a temperá-los: um a um no molho mergulhando, depois na frigideira colocando um a um, os siris com seu tempero. Espalhem o resto do molho por cima dos siris bem devagar, que esse prato é muito delicado.
Tomem de quatro tomates escolhidos, um pimentão, uma cebola, tudo por cima e em rodelas coloquem para dar um toque de beleza. No abafado, por duas horas, deixem a tomar gosto. Levem depois a frigideira ao fogo. Quando estiver quase cozido juntem o leite de coco e, no finzinho, o azeite-de-dendê pouco antes de tirar do fogo.
(Fonte: Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado, Ed. Record, e Floriano Teixeira – Desenhos, Coleção Casa de Palavras)

Foto: Reprodução

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Considerado uma lenda das artes plásticas, Jackson Pollock moldou o movimento expressionista abstrato e o curso da história da arte americana com a técnica de pintura por gotejamento, ou dripping (tinta respingada sobre a tela). Mas por trás do artista havia o homem que também gostava de comer. Ele adorava cozinhar em sua modesta casa de East Hampton. Foi lá, escondida na despensa da cozinha, que foi descoberta uma coleção de receitas manuscritas por ele, que eram elaboradas com sua mulher e servidas aos amigos. 
Além das pinturas consagradas, o sucesso na cozinha de Pollock é a Torta de Maçã (receita abaixo), que ganhou o primeiro prêmio em uma feira rural de Long Island. Portanto, esqueça o gênio visionário que lutou contra o alcoolismo e a vida desregrada. Foquemos no cozinheiro obsessivo com uma despensa cheia de panelas francesas, pastas repletas de receitas como Torta de Mariscos e Blintz de Mirtilo, dentre outras iguarias. Blintz é uma fina panqueca enrolada, recheada com fruta ou queijo e depois frita ou assada.
Jackson Pollock nasceu em 28 de janeiro de 1912 no estado de Wyoming, Estados Unidos. Começou seus estudos em Los Angeles e depois se mudou para Nova York. Casou-se com a pintora Lee Krasner em 1945, e ela se tornou uma importante influência em sua carreira e no seu legado artístico. Durante a vida, ele gozou de fama e notoriedade com sua pintura de ação (action painting) em telas de grandes dimensões. Morreu aos 44 anos em um acidente de carro em que dirigia alcoolizado, no dia 11 de agosto de 1956. Quatro meses depois, ganhou uma exposição retrospectiva no MoMA _Museu de Arte Moderna de Nova York.

Torta de Maçã Premiada de Jackson
Rende 8 porções

Ingredientes
Para o recheio
1,8 kg de maçãs granny smith (verde) ou qualquer tipo de maçã azeda
¼ xícara de água
1 xícara de açúcar; ou menos, se desejado
1 colher de chá de canela
½ noz-moscada
1 colher de chá de farinha de trigo, peneirada
Para a massa de torta
2 ½ xícaras de farinha de trigo
1 nível de fermento em pó
1 colher de chá de sal
1 ½ xícaras de manteiga gelada
2 gemas, mais 1 ovo inteiro para pincelar
½ xícara de leite frio; e mais, conforme necessário

Modo de preparo
Recheio
Descasque e corte as maçãs em fatias finas. Cozinhe-as em uma panela com um pouco de água (até cobrir a fruta), o açúcar e especiarias. Refrigere as maçãs em um pouco da calda. Quando esfriar, peneire a farinha sobre as maçãs e mexa delicadamente para incorporar. Reserve.

Massa
Preaqueça o forno a 200ºC. Misture a farinha, o fermento e o sal. Adicione a manteiga e amasse até que a mistura esteja quebradiça. Adicione as gemas e misture com o leite. Abra a massa levemente. Coloque-a em uma forma de torta arredondada de 25 cm untada, permitindo que a massa suba sobre a borda de aproximadamente 2,5 cm de altura; apare o excesso, faça uma bola e o reserve para fazer a cobertura. Certifique-se de que não haja rachaduras na parte inferior; sele-os pressionando as bordas junto com os dedos. Despeje a mistura de maçã e distribua uniformemente.
Para obter uma cobertura simples, retire a massa restante, coloque a folha de massa sobre o rolo e desenrole-a em cima do recheio da torta de maçã. Permita que a crosta superior salte sobre a borda da panela em cerca de 2,5 cm; apare o excesso de massa e, em seguida, junte as crostas superior e inferior ao redor da borda para selar a torta. Fure a cobertura com um garfo ou uma faca em cerca de uma dúzia de lugares para permitir que o vapor escape. Pincele a massa com ovo e polvilhe levemente com uma pitada ou duas de açúcar. Para uma cobertura mais elaborada, em forma de treliça, estenda a massa restante, corte em tiras de 1,25 cm e teça as tiras em cima do recheio. Pincele com ovo e polvilhe com açúcar.
Coloque a torta no centro do forno a 200ºC e asse por 10 a 15 minutos, depois reduza o forno para 160ºC e asse por mais 25 a 30 minutos.
(Fontes: Jackson Pollock: Receitas, Arte e Natureza, de Robyn Lea, Ed. Assouline; e Internet)

Foto: Reprodução

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Pierre-Auguste Renoir (1841-1919) era o mais pobre entre os consagrados colegas de sua geração. Autor do famoso quadro Rosa e Azul (também conhecido como As Meninas), foi o único do movimento impressionista que sobreviveu para ver sua obra reconhecida. O “pintor da vida”, como costuma ser chamado, era tido como uma pessoa simples, alegre e carismática. Vivia sempre rodeado de amigos. Estes viajavam para visitá-lo no sul da França, para onde se mudou em 1907 com a mulher, Aline Charigot, e os três filhos. Os visitantes iam até sua casa atraídos pelas delícias: Caldeiradas, Pot-au-feu _tradicional cozido francês de carne feito com ervas aromáticas e legumes_ e Galantina de Vitela (receita abaixo).
O artista francês tinha paixão pela figura feminina, pelas pessoas comuns e pela natureza abundante de flores e oliveiras, belos cenários para suas criações. Filho de costureiros humildes, Renoir nasceu na cidade de Limoges. Aos quatro anos segue para Paris com a família, onde passa uma infância feliz. Seu primeiro contato com as artes seria trabalhando como pintor de porcelanas em uma fábrica, quando decide se profissionalizar na arte. 
As aulas na Escola de Belas Artes e no estúdio de Charles Gleyre (onde conheceu Monet) eram intercaladas com momentos de pintura ao ar livre. A partir daí, juntamente com Degas, Manet e outros, formava-se o grupo que inventaria o Impressionismo, cuja característica era registrar cenas do cotidiano em pinceladas mais livres. O segundo filhos, Jean Renoir, viria a se tornar um grande cineasta. O pintor viveu seus últimos anos na Riviera Francesa, e mesmo sem conseguir andar ou segurar com firmeza o pincel, continuou pintando até o fim da vida.

Galantina de Vitela
Ingredientes
1 ½ kg de vitela
3 litros de água
4 folhas de louro
4 ramos de salsa
3 ramos de cebolinha
2 ½ envelopes de gelatina em pó, incolor e sem sabor
2 cenouras
1 cebola média picada
Sal e pimenta-do-reino a gosto
Cobertura
2 xícaras de caldo de carne
1 envelope de gelatina em pó, incolor e sem sabor

Modo de preparo
Amarre dois ramos de salsa, a cebolinha e o louro, formando um buquê. Numa panela, ponha a carne, a cenoura, a cebola, o buquê, sal e pimenta. Junte a água e leve ao fogo. Quando ferver, tampe e cozinhe por uma hora e meia ou até que a carne esteja macia. Escorra o caldo, coe e reserve-o. Retire o excesso de gordura sobre a superfície do caldo com a ajuda de uma colher.
Ponha a gelatina de molho em meia xícara de água por cinco minutos. Corte a carne em pedaços pequenos. Transfira a gelatina para uma panela e acrescente três xícaras e meia do caldo. Leve ao fogo baixo e mexa até dissolvê-la. Unte a forma (redonda de buraco no meio, com 20 cm de diâmetro) com óleo e despeje o caldo até atingir 1 cm. Leve à geladeira até ficar ligeiramente firme. Corte a cenoura em rodelas e arrume-as por cima da gelatina já firme. Na lateral da forma, pressione a salsa restante. Adicione mais caldo até atingir 1 cm. Leve novamente à geladeira até ficar ligeiramente firme. 
Coloque pedaços da carne sobre a gelatina e cubra com mais caldo. Leve à geladeira até ficar ligeiramente firme. Alterne camadas de carne e caldo, sempre levando à geladeira para endurecer. Termine com o caldo e leve à geladeira por mais três horas. Quando estiver firme, desenforme sobre um prato e deixe na geladeira. 

Cobertura
Aqueça o caldo e junte a gelatina. Mexa até dissolvê-la. Despeje numa assadeira grande untada com óleo e leve à geladeira até ficar firme. Corte-a em cubinhos e decore a Galantina.
(Fonte: Internet e Revista Cláudia Cozinha)

Foto: Reprodução

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Matisse amava tanto as Feuilles du palmier (Folhas de palmeira, título de sua obra de 1912) que esse gosto foi parar na gastronomia, pois era apaixonado pelo doce Palmier (receita abaixo), comprado no mesmo mercado e docerias onde adquiria frutas glaceadas. Para ele, arte e comida traziam paz e calma. Era um francês refinado e gourmet. No seu ateliê, na companhia de amigos e modelos, costumava degustar bolos e outras gostosuras preparados por uma empregada polonesa.
O artista nasceu no norte da França, primogênito de um comerciante de cereais. Por desejo do pai, formou-se em Direito, em Paris, e exerceu a profissão, mas nas horas vagas frequentava aulas de desenho. A mãe, porém, sabendo da vontade dele, presenteou o filho com um estojo completo de pintura. Henri Matisse se tornou pintor, desenhista, gravurista e escultor. Vanguardista, é considerado um dos fundadores do “Fauvismo” _o primeiro movimento moderno do século 20, que considerava a cor como essência da pintura.
A maioria de seus primeiros quadros apresenta uma paleta escura, mas depois Matisse se transforma no mestre das cores. Seu olhar especial para as flores, plantas e para a textura dos materiais fazem de sua obra uma inspiração inesquecível. Ele trabalhou arduamente até alcançar “a arte do equilíbrio, da pureza e da serenidade” com que sonhava. “Eu sempre tentei esconder meus esforços e dar ao meu trabalho a alegria da primavera. Os desenhos são a tradução mais pura e direta de minhas emoções”, revelou.

Palmier
Rende 16 unidades
Ingredientes
2 colheres (sopa) de açúcar
1 colher (sopa) de manteiga derretida 
1 massa folhada laminada congelada

Para polvilhar
Açúcar a gosto

Modo de preparo
Deixe a massa em temperatura ambiente por uma hora. Desenrole-a sobre uma superfície plana. Pincele-a com manteiga e polvilhe com açúcar. Com a ajuda de um rolo de abrir, pressione o açúcar sobre a massa. 
Faça uma linha imaginária vertical no centro da massa, como se fosse dividi-la em dois pedaços. Enrole uma das metades até essa linha imaginária.
Faça o mesmo com a outra metade, enrolando-a em direção ao meio. Embrulhe em filme-plástico e leve à geladeira por uma hora. Aqueça o forno em temperatura alta. Corte fatias de 0,5 cm e arrume na assadeira grande untada com manteiga. Polvilhe açúcar e asse por 15 minutos.
(Fonte: Internet)

Foto: Reprodução

terça-feira, 12 de junho de 2018

O pintor francês, um dos principais artistas do final do século 19, nasceu numa família aristocrática. Tinha refinamento e conhecia a fundo os prazeres da vida, incluindo a boa mesa. Mas a origem nobre não o distanciou da vida nos cabarés de Paris, a exemplo do Moulin Rouge, onde registrou as figuras de dançarinas, prostitutas e frequentadores. Ele pincelou o estilo de vida boêmio com detalhes precisos e se tornou um dos mais importantes expoentes do pós-impressionismo.
Henri de Toulouse-Lautrec era baixinho e frágil, resultado de um acidente na infância que atrofiou o crescimento de suas pernas, deixando-o com pouco mais de 1,50 m de altura, porém com o tronco de tamanho normal. Como não podia praticar atividade física, desde cedo passou a se alimentar de arte. Nos castelos do sul da França conheceu as delícias de vinhos vintage, queijos envelhecidos e carnes bem temperadas. Costumava receber os amigos no seu ateliê na região de Montmartre para verdadeiras celebrações dos sentidos. Nas férias, os banquetes eram transferidos para o Château du Bosc, a residência dos pais dele nos arredores de Paris. Nessas ocasiões eram obrigatórios no cardápio Confits e Pâté en Crôute (receita abaixo).
Estava convencido de que arte e cozinha eram iguais. No livro de receitas The Art of Cuisine , que escreveu e publicou com o amigo e parceiro Maurice Joyant, sugere pratos com o forte sabor da Provença. Estão lá também as formas fantásticas de preparar peixe e aves, assim como molhos gourmet. As receitas chamam a atenção por sua originalidade e, para reproduzi-las com sucesso, é preciso cuidar especialmente do equilíbrio de gostos.

Pâté en Crôute
Ingredientes
2 ½ xícara de farinha de trigo
¾ xícara de manteiga gelada cortada em pedaços
4 colheres (sopa) de água  
½ colher (chá) de sal  
1 gema
Recheio
¼ xícara de vinho Madeira ou Porto
½ colher (chá) de pimenta-do-reino
½ colher (chá) de sal
250g de toucinho defumado
250g de fígado de galinha
250g de peito de frango sem pele e sem osso
5 gemas
5 dentes de alho amassados 
1 gema ligeiramente batida para pincelar

Modo de preparo
Cobertura
Misture a farinha com a manteiga até formar uma farofa. Faça uma depressão no meio e acrescente o sal, a água e a gema. Amasse bem. Embrulhe a massa em filme plástico e leve à geladeira por 30 minutos. 

Recheio
Corte o toucinho e o fígado em pedaços. Ponha em uma frigideira com o alho e a carne de frango. Frite por 15 minutos em fogo alto. Deixe esfriar e passe pelo processador. Transfira para uma tigela e junte sal, pimenta, as gemas e o vinho. Misture bem.

Montagem
Aqueça o forno em temperatura alta. Abra a massa sobre uma forma de 26 x 11 cm e forre o fundo e as laterais. Espalhe o recheio e cubra com a massa restante. Faça furos na massa com um garfo para sair o ar quente. Pincele com a gema e asse por 45 minutos ou até dourar bem. Desinforme e sirva.
(Fonte: Internet)

Foto: Reprodução

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Em 1883, o pintor Claude Monet e sua mulher, Alice, se mudam definitivamente para Giverny com os oito filhos. O casal transforma os jardins da casa em uma plantação de couve, alface, aipo, escarola e tomate. Esses ingredientes serviam tanto de inspiração para seus quadros quanto para usar nos almoços memoráveis que oferecia aos amigos famosos, como Renoir, Cézanne e Clemenceau. A partir dessa época, veio à tona seu lado gourmand
Monet não cozinhava, mas fazia questão que os pratos fossem preparados com maestria. Nos cadernos de receitas do artista francês, a historiadora de arte Claire Joyes descobriu seu estilo de viver e de receber, que ela trouxe a público no livro À Mesa com Monet, no qual revela a intimidade familiar e os segredos culinários do pintor. Em meio a receitas, fotografias e histórias curiosas, há relatos de que o gênio impressionista ficava de ótimo humor diante da perspectiva de uma boa refeição, mas se estivesse descontente com alguma pintura em andamento, era melhor deixá-lo quieto.
Diferentemente da maioria dos colegas, não era adepto da boêmia; gostava de dormir cedo e mergulhar no trabalho desde as primeiras horas do dia. Por isso, preferia receber as pessoas para o almoço. Nesses momentos de confraternização gastronômica, brindava a todos com incríveis receitas. Entre as iguarias servidas aos mais ilustres visitantes estavam as suas preferidas: Galettes de Castanha (receita abaixo), Pato à Moda de Rouen, Assado de Vitela, Filé de Linguado à Véron e Charlote de Damasco. 

Galettes de Castanha
Rende 15 unidades
Ingredientes
½ xícara de manteiga derretida
½ xícara de açúcar
400 g de purê pronto de castanha portuguesa
3 ovos (claras e gemas separadas)

Modo de preparo
Numa tigela misture a manteiga derretida com o purê de castanha, o açúcar e as gemas. Aqueça o forno em temperatura alta. Bata as claras em neve e acrescente à mistura de castanha. Mexa cuidadosamente e distribua a massa em 15 forminhas com 7 cm de diâmetro e 3,5 cm de altura untadas com manteiga. Leve ao forno e asse por 30 minutos ou até que, enfiando um palito, ele saia limpo. Desenforme e sirva.
(Fontes: À Mesa com Monet, de Claire Joyes, Ed. Sextante, e Internet)

Foto: Reprodução

domingo, 10 de junho de 2018

Havia uma espécie se sincretismo gastronômico na mesa do artista plástico argentino que escolheu a Bahia como a terra do seu coração, onde manteve entre os principais amigos o escritor Jorge Amado. A multiculturalidade do seu paladar combinava harmonicamente a genuína cozinha baiana _o místico Efó (receita abaixo) e a Frigideira de Caranguejo, por exemplo_ com a culinária internacional _Salteñas, Pastel de Choclo, como é chamado bolo de milho em espanhol, e Paella
Tudo isso está descrito no livro À Mesa com Carybé - O encantamento dos sabores e das cores da Bahia (publicado em comemoração ao primeiro aniversário do Museu da Gastronomia Baiana), que revela ao público os hábitos e as preferências alimentares do artista. A obra é recheada com 53 receitas veneradas por ele e assinadas pela esposa Nancy. Além das belíssimas ilustrações do próprio Carybé, o leitor é brindado também com o prefácio de Mãe Stella D’Oxóssi, do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, que o iniciou nas tradições do Candomblé.
Na casa onde morou com a mulher e os filhos Solange e Ramiro, no bairro de Brotas, montou o espaçoso ateliê. Embaixo, ficaram dois galpões onde o artista trabalhava na criação de seus murais e entalhes de madeira. Num deles, porém, foi instalado o galinheiro onde quase todos os dias ele entrava para recolher os ovos, que eram usados na cozinha. Muitos dos temperos eram colhidos na horta, onde cultivava orégano, sálvia e rúcula. O terreno abrigava outra de suas paixões, as frutas: banana, goiaba, limão, pitanga e jaca. Próximo ficava a churrasqueira, decorada com azulejos de sua autoria. Carybé não tinha talento na cozinha, mas como um argentino que se preze sabia fazer churrasco, principalmente na casa em Arembepe, onde reunia a família para saborear uma boa picanha.

Efó
Rende 6 porções
Ingredientes
800 g de taioba, língua-de-vaca ou espinafre
Meia xícara (chá) de azeite de oliva
100 g de camarões secos moídos
40 g de castanha de caju ou amendoim moído
2 cebolas
Azeite-de-dendê
Sal a gosto

Modo de preparo 
Cozinhar as folhas em água e sal. Em seguida, escorrer a água e cortá-las bem miúdas. Refogar, no azeite de oliva, a cebola, os camarões secos e a taioba (ou a folha que escolheu). Acrescentar os demais ingredientes mexendo sempre. Cozinhar por cinco minutos. Deve ficar com uma consistência cremosa. Sirva com farofa de azeite-de-dendê.
(Fonte: À Mesa com Carybé - O encantamento dos sabores e das cores da Bahia, Museu da Gastronomia Baiana, e www.correio24horas.com.br)

Foto: Acervo ©Instituto Carybé/Reprodução

sábado, 9 de junho de 2018

Um dos maiores gênios universais, o artista criador das obras-primas A Santa Ceia e Mona Lisa era vegetariano. E este fato não era visto com bons olhos na época da Renascença em que viveu. Leonardo da Vinci nutria grande afeição pelos animais, a ponto de comprar passarinhos em mercado público só para soltá-los em seguida. Mesmo assim, com seu espírito inovador, ele inventou uma máquina de moer carne para facilitar a vida dos cozinheiros. Mas preferia jantar saladas verdes, frutos do mar, legumes, pão, cogumelos, cereais e massas. Adorava também sopa de grão de bico, que ele chamava de La Minestra (receita abaixo), e gostava de tomá-la bem quentinha.
O pintor renascentista anotava em um caderno deliciosas receitas com comentários sobre a preparação e, ainda, a respeito das boas maneiras à mesa. Descoberto em 1981, foi publicado no Brasil pela Editora Record com o título Os Cadernos de Cozinha de Leonardo da Vinci. Segundo pesquisadores, o mestre teria dito: “Se você quer ser saudável, preste atenção a este conselho, coma apenas quando estiver com fome e permita que a refeição leve seja suficiente. Mastigue bem toda a sua comida. Tudo o que você engole seja bem cozido e simples. Ao sair da mesa, mantenha uma boa postura e, após o almoço, não ceda ao sono”.
Na biografia “definitiva” escrita por Walter Isaacson, com base em milhares de páginas dos cadernos que Da Vinci manteve ao longo da vida e nas recentes descobertas sobre sua obra e sua trajetória, surge uma pessoa real, extraordinária pela pluralidade de interesses e pelo prazer que tinha em combiná-los. É um retrato da capacidade humana de inovar, da importância de não apenas assimilar conhecimento, mas se dispor a questioná-lo, ser imaginativo e pensar diferente, como sempre fizeram os rebeldes de todos os tempos.

La Minestra ou Sopa de Grão de Bico
Ingredientes e modo de preparo
Lave 1 kg de grão de bico em água quente. Depois de serem lavados, devem ser colocados em uma panela para saltear. Com as mãos, misture cerca de 14 g de farinha, óleo, sal, 20 grãos de pimenta moída grossa e canela em pó. Coloque essa mistura no fogo com três medidas de água, e adicione sálvia, alecrim e raízes de salsinha finamente picadas. Acrescente o grão de bico até que esteja quase cozido. Se for para pessoas doentes, adicione apenas óleo e especiarias.
(Fonte: Internet)

Foto: Reprodução

sexta-feira, 8 de junho de 2018

A pintora valorizava a comida saudável e estava sempre à procura de receitas nutritivas, rápidas no preparo e simples nos ingredientes puros. Sua comida era feita com vegetais, grãos e carnes orgânicas, tendo em mente promover saúde e bem-estar. O'Keeffe inclusive cultivava pomar e horta, já que a alternativa para frutas e vegetais frescos estava distante de onde morava. Ela fazia também seu próprio pão, usando um pequeno moinho para moer a farinha. 
Nas casas que mantinha no Novo México, em Ghost Ranch e Abiquiú, projetou espaços com ênfase na cozinha e no jardim que seriam parte integrante de seu processo artístico. Ela se divertia em ser capaz de buscar e reunir os ingredientes selvagens na paisagem do deserto que a rodeava. A comida de O'Keeffe era elevada a uma forma de arte. Os pratos revelavam sua herança irlandesa e húngara, assim como o livro de memórias culinárias da infância vivida na fazenda da família em Wisconsin. 
De sopas e pratos principais a pães, doces e bebidas, as preferências da artista incluíam Sopa de Cogumelos, Frango com Páprica em Estilo Húngaro e Brownie de Chocolate e Nozes (receita abaixo). A propósito, esta receita foi manuscrita por ela no papel timbrado do Hotel Waldorf Astoria. Georgia O’Keeffe morreu aos 98 anos, em Santa Fé, no dia 6 de março de 1986.

Brownie de Chocolate e Nozes 
Rende 8 a 10 pedaços
Ingredientes
1 xícara de manteiga sem sal, amolecida
100 g de chocolate meio amargo
1 xícara de farinha de trigo
¼ de colher de chá de sal
2 xícaras de nozes picadas
2 ovos
2/3 de xícara de açúcar
2 colheres de chá de extrato de baunilha

Modo de preparo
Preaqueça o forno a 200ºC. Unte uma assadeira de 20 x 20 cm e forre-a com papel manteiga. Em banho-maria, misture delicadamente a manteiga e o chocolate e deixe esfriar. Numa tigela misture a farinha, o sal e as nozes.
Usando uma batedeira, bata os ovos, o açúcar e a baunilha por 2 a 3 minutos, ou até que estejam claros. Quando a mistura de chocolate estiver fria o suficiente, para evitar cozinhar os ovos, adicione a mistura de ovo/açúcar; bata bem para ficar homogêneo. Acrescente a mistura de farinha apenas até incorporar. Despeje a massa na assadeira e asse por 20 a 25 minutos, ou até que uma faca ou palito seja inserido no centro e saia limpo.
(Fonte: A Painter’s Kitchen: Receitas da Cozinha de Georgia O’Keeffe, de Margaret Wood; Dinner with Georgia O’Keeffe, de Robyn Lea, Ed. Assouline)

Foto: Todd Webb/Reprodução

quinta-feira, 7 de junho de 2018

“Meu nome é Andy Warhol e acabei de comer um hambúrguer”. Esta é a frase que o artista americano, considerado pai da Pop Art, diz após comer o sanduíche de uma famosa hamburgueria em um vídeo artístico de quatro minutos. Nada de estranho partindo do cara que se dedicou a retratar coisas produzidas em massa, especialmente comida. Foi assim com uma prosaica banana e também com a lata vermelha e branca de sopa Campbell’s, pela qual é reconhecido no mundo inteiro. Perguntado sobre a razão de usar o famoso alimento enlatado em suas obras, ele respondeu: “Porque eu comi aquela sopa durante 20 anos, quase todos os dias”.
Filho de imigrantes poloneses, Andy Warhol (1928-1987), cujo nome de batismo é Andrew Warhola, era viciado em junk food. No final da década de 50 ele ilustrou o livro Framboesas Selvagens (título em referência ao filme Morangos Silvestres, de Bergman), um projeto audacioso em parceria com a decoradora de interiores Suzie Frankfurt, que escreveu algumas receitas. Feito à mão, ironizava os livros de cozinha franceses da época. Não chegou a ser publicado, mas quase 40 anos depois o filho de Suzie encontrou esse tesouro cultural entre os documentos de sua mãe e o publicou em 1997. Quanto às receitas, elas servem mais para o artístico do que para a culinária.
Visionário, o artista preconizou que no futuro todo mundo teria seus 15 minutos de fama. Consagrou, em suas diversas séries de serigrafia, produtos tipicamente industriais, feitos em linhas de produção para consumo rápido. A exemplo da Sopa de Tomate (receita abaixo).

Sopa de Tomate
Ingredientes
5 tomates grandes (cortados em cubinhos, sem pele e sementes)
1 cebola média picada
2 dentes de alho picados
2 colheres (sopa) de azeite
1 tablete de caldo de carne ou do que preferir
1 ½ litros de água fervente
Orégano, manjericão, sal e pimenta
Queijo parmesão ralado

Modo de preparo
Em uma panela, coloque o azeite e refogue o alho e a cebola. Depois acrescente os tomates por uns 5 minutos ou até virar uma espécie de molho. Adicione o tablete de carne, a água e os temperos. Sirva quente com parmesão ralado por cima.
(Fonte: Internet)

Foto: Reprodução

quarta-feira, 6 de junho de 2018

O artista plástico baiano contou, ao participar da minha coluna semanal Meu Sucesso na Cozinha publicada em um grande jornal de Salvador, que já fazia o tal do prato há duas décadas. Para justificar o sucesso, Bel diz que a carne do peixe, depois de cozida, “parece algodão, macia e branquinha”. Garante que seus amigos se deliciam com o Peixe ao Tamarindo com Pirão de Lagosta (receita abaixo) e outros de seus inventos gastronômicos, que incluem peixes, frutos do mar e massa, preferencialmente.
Bel Borba começou a exercitar os dotes culinários em 1981, depois de ser deixado pela namorada que era uma excelente cozinheira. Ele se aventurou pelas macarronadas e seguiu adiante. Nas inúmeras viagens que faz pelo mundo, suas principais áreas de interesse são arte, arquitetura e gastronomia, incluindo a exótica tailandesa. Inquieto e irreverente, acredita que “gostoso é o desprendimento, a cultura do prazer, da qualidade; a pajelança”.
Quando coloca o avental, Bel expande sua veia criativa, inovadora, que não aceita regras nem receitas. Famoso por seus azulejos artísticos espalhados pelos muros da capital baiana, ele revela: “Cozinho com a mesma agonia com que eu pinto”. E avisa, com o bom humor que lhe é peculiar. “Quando eu estou pintando pode dar opinião à vontade. Mas quando estou cozinhando, não venha não!”. Seu estilo culinário é rústico, básico. Confessa que o domínio de tempero chega até, no máximo, seis porções. Após essa quantidade ele se perde, pois não gosta de dosar nada.

Peixe ao Tamarindo com Pirão de Lagosta
Ingredientes
5 kg de vermelho-dentão inteiro
2 kg de lagosta
250 g de polpa de tamarindo
Tomate, pimentão, cebola, alho, sal
Cheiro-verde
Couve
Abacaxi
Azeite extravirgem
Farinha
1 cálice de vinho branco seco

Modo de preparo
Peixe
Lave o peixe, já limpo, na água do mar e depois em água doce, rapidamente. Passe no limão e, em seguida, numa pasta de alho. Deixe macerando. Recheie o peixe com a polpa de tamarindo (batida no liquidificador com azeite, “tipo um frozen”) e com os temperos e costure, mantendo a cabeça e o rabo. Coloque-o numa assadeira sobre um “mosaico” de cebola cortada em rodelas e folhas de couve e regue com azeite. Por cima, adicione pedaços de abacaxi e rodelas em volta da assadeira, depois cubra com talos de cebolinha e folhas de bananeira. Leve ao forno para assar.

Pirão de Lagosta
Afervente a cabeça das lagostas e reserve o rabo. Acrescente os temperos e, ainda na panela, amasse as cabeças (“é um pirão cerebral!”) usando um machucador de madeira. Coe o líquido e adicione um cálice de vinho branco. Coloque os rabos da lagosta neste caldo para ferver, depois retire a casca e pique a carne com as mãos, adicionando-a ao pirão quando estiver pronto, feito com a farinha _colocada aos poucos_ e mais temperos. O prato dá para 6 a 7 pessoas e pode ser harmonizado com vinho branco.
(Fonte: Coluna ‘Meu Sucesso na Cozinha’, por Roberto Pires, 12/06/2005)

Foto: Fernando Vivas/A Tarde