quinta-feira, 17 de maio de 2018

A autora dos aclamados A Festa de Babette e A Fazenda Africana (ambos levados ao cinema com sucesso) teve uma relação conflituosa de amor e negação à comida. Escreve maravilhosamente sobre cozinha, aromas, paladares delicados. Por outro lado, faz uma espécie de jejum eterno. Acaba desnutrida. No fim da vida, alimenta-se apenas de ostras, champanhe e suflê.
Karen Christentze Dinesen, depois baronesa von Blixe-Finecke, nasceu na Dinamarca em 1885. Aprendeu a cozinhar ainda jovem. Para combater a frieza dinamarquesa, a escritora embarca com o marido para viver a exótica magia _e percalços_ da África, onde tentam manter ativa uma fazenda de café. Época de grandes caçadas e safáris. Em casa, Karen recebe o companheiro e convidados, a exemplo do ilustre príncipe-de-Gales, com pratos inesquecíveis, como Clear Soup (o consomê feito com perfeição pelo jovem cozinheiro Kamante) e Linguado com Molho Holandês (receita abaixo).
Aos poucos, a saúde de Karen vai se debilitando. Além da magreza decorrente de uma dieta ininterrupta, passa a sofrer os efeitos devastadores da sífilis contraída do marido mulherengo. Chega a pesar 37 quilos, totalmente anoréxica. Mesmo assim, mantém os jantares suntuosos, mimando seus convidados com pratos à base de trufas. No dia 7 de setembro de 1962, quando ela quase não mais de levanta, toma o último de seus preciosos consomês e dorme serenamente. Para sempre. Causa da morte: desnutrição.

Linguado ao Molho Holandês
Ingredientes para 4 pessoas
1 linguado de cerca de 1,5 kg
½ cebola
1 cenoura
1 ramo de salsa
1 copo de vinho branco
Sal e pimenta

Para o molho holandês
3 gemas
1 ½ colher (sopa) de suco de limão
Sal e pimenta
150 g de manteiga

Modo de preparo
Limpe o peixe, prepare-o para o cozimento e coloque-o em uma panela com a cebola, a cenoura, a salsa, o vinho branco, um pouco de sal e pimenta e água suficiente para cobrir tudo. Coloque para ferver e deixe cozinhar por cerca de 10 minutos.
Nesse meio-tempo, prepare o molho holandês. Coloque as gemas em uma panelinha e deixe-as em banho-maria., junte o suco de limão, 1 colher (sopa) de água, um pouco de sal e pimenta e, sem parar de mexer, a manteiga cortada em pedaços, esperando que cada pedacinho derreta para colocar o outro. Corte o linguado em filés e sirva-o acompanhado do molho holandês à parte.
(Fonte: A Cozinha das Escritoras, de Stefania Aphel Barzini, Ed. Saraiva)

Foto: Pierre Boulat/Getty Images

Os vinhos do tenor

O italiano ANDREA BOCELLI (na foto acima com o irmão, Alberto) desembarca no Brasil em setembro para apresentações em Brasília, Porto Alegre e São Paulo. Mas os baianos têm chance de ir vê-lo no Allianz Parque, em São Paulo, no dia 29 de setembro. Para concorrer a um par de ingressos, é simples. Basta pedir uma garrafa de um dos vinhos produzidos pela família de Bocelli na Toscana, servidos no restaurante La Pasta Gialla, na Pituba. São 6 opções de tinto e 2 de brancos.

Foto Divulgação

Workshop de café

O barista e torrador baiano LUCAS CAMPOS (foto acima), pilota o workshop ‘Café nosso de cada dia’ no próximo dia 2 de junho, das 8h às 18h, no restaurante Casa de Tereza, da chef Tereza Paim. Com vagas limitadas (R$120 cada participante), é voltado para profissionais, apreciadores e bebedores de café. No encontro, Lucas, que tem mais de cinco anos de experiência na área, vai utilizar o café Taperinha, produzido na Fazenda Riacho da Tapera, na cidade de Piatã, Chapada Diamantina. Ele promete passar também dicas simples sobre quantidades, temperaturas e moagem. 
O restaurante Casa de Tereza fica na Rua Odilon Santos, 45, Rio Vermelho. +info: (71) 3329-3016 / produtoraideiasinquietas@gmail.com

Foto Divulgação

terça-feira, 15 de maio de 2018

Além de escrever mais de 300 livros _dentre eles, os clássicos O Conde de Monte Cristo e Os Três Mosqueteiros_, Alexandre Dumas pai (1802-1870) era louco também por diversão e comida. Aos 60 anos, no auge da fama de escritor, decidiu se dedicar ao assunto que amava e lançou o Grand Dictionnaire de Cuisine, uma obra de referência apreciada tanto por chefs quanto por leigos. A “bíblia gastronômica” traz centenas de crônicas e receitas, incluindo pratos da culinária francesa e outros exóticos dos mais diversos países. 
O Grande Dicionário de Culinária mistura, deliciosamente, gastronomia e literatura. Nos 615 verbetes constam relatos históricos, cartas a leitores, descrições científicas e crônicas. A publicação é enriquecida com 275 ilustrações de época assinadas por grandes artistas como Gustave Doré e mais de 400 receitas, que vão de peixes, aves e carnes a sopas, molhos, sobremesas e pâtisserie; de curiosidades e procedimentos artesanais a pratos tradicionais e sofisticados.
Grandalhão, o escritor francês vivia e comia com intensidade. Por isso, foi associado ao adjetivo ‘pantagruélico’ (Pantagruel era o nome do personagem comilão de Rabelais, conterrâneo de Dumas, que viveu três séculos antes). Entretanto, ele preferia qualidade a quantidade, definindo gastronomia como “a gula dos espíritos delicados”. E não dispensava a etiqueta à mesa. Confira abaixo uma receita dele, simples mas saborosa.

Abóbora-menina ao Parmesão 
Modo de preparo
Corte a abóbora-menina* em pedaços quadrados e ferva-os por 15 minutos em água e sal. Escorra-os. Ponha na panela um bom pedaço de manteiga e frite os pedaços de abóbora com sal e especiarias. Transfira-os para uma travessa, cubra com parmesão ralado, leve ao forno para dourar e sirva. 
*Obs. do blog: Esta variedade de abóbora é plantada durante a temporada de primavera e colhida no outono, assim que a casca endurece. Pode ser assada, cozida ou utilizada para uma sopa quentinha de inverno. 
(Fontes: Grande Dicionário de Culinária, de Alexandre Dumas, Ed. Zahar; e Internet)

Imagem: Reprodução

12ª SSA Restaurant Week

Em clima de Copa do Mundo, a gastronomia internacional inspira os chefs da  décima segunda edição da SALVADOR RESTAURANT WEEK, que vai rolar na capital baiana de 18 de maio até o dia 10 de junho, na Praça Central do Salvador Shopping. Com a participação de 55 renomados restaurantes, o evento consolida a democratização da alta gastronomia e retoma o sucesso da Cozinha Show. As aulas, gratuitas, acontecerão em três horários (13h, 16h e 19h). 
Durante o festival gastronômico soteropolitano, os chefs de todo o Brasil terão a liberdade para trabalhar com ingredientes dos países classificados para o mundial de futebol na Rússia. Com o tema “Copa do Mundo”, pretende-se que os comensais da boa culinária e torcedores apaixonados façam uma viagem gastronômica, tendo contato com a riqueza culinária de diferentes povos e culturas espalhadas ao redor do globo. A Salvador Restaurant Week é realizada pelo Grupo Mica e Licia Fabio Produções. Na foto acima, a produtora Licia Fábio aparece ao lado de Fernando Reis, dono do evento no Brasil.
Os menus completos para o público _com entrada, prato principal e sobremesa_ custam R$44,90 no almoço (R$43,90 + R$1 de doação para o Instituto dos Cegos da Bahia) e R$55,90 no jantar (R$54,90 + R$1 de doação). +info: www.restaurantweek.com.br.

Lista dos restaurantes participantes:
33 DownTown, 33 Restaurante, Adam Cozinha Originária, Adamastor, Al Mare, Alfredo di Roma, Balada Mix - Salvador Shopping, Balada Mix  - Bahia Marina, Barbacoa, Barravento, Bella Napoli, Bianca Monteiro Confeitaria, Blue Praia Bar, Bottino Ristorante Italiano, Boucherie Boutique de Carnes, Café do Forte, Cais do Porto, Caju, Cantina e Gastronomia Du Vini - Rio Vermelho, Cantina e Gastronomia Du Vini – Imbuí, Casa di Vina, Cathedrall, Chalezinho, Cien Fuegos, Confraria da Ostras, Das, Doc Casual, Du Chef Arte e Gastronomia By Lucius Gaudenzi, Dendê Gastronomia, El Carreiro, Ferreiro Café, Gattai, Isola dei Sapori, Kophai, La Pulperia, La Lupa, Lafayette, Martim Pescador, Mistura – Itapoan, Paraíso Tropical, Parrilla do Farol, Red Restaurante, Riz Bistrot & Risotos, Salvador Dali, Santo Verde – Barra, Santo Verde – Pituba, Soho - Bahia Marina, Soho – Paseo, Solar - Rio Vermelho, Solar – Graça, SP20 Restolounge, Veleiro - Restaurante do Yacht, Yemanjá, Yoko Sushi, Zafferano.

Foto Divulgação

segunda-feira, 14 de maio de 2018

A escritora inglesa retratou com toques de ironia os costumes de seu tempo. Sempre atual, sua obra foi transposta para o cinema e agora o romance Orgulho & Preconceito inspira uma versão abrasileirada na novela das 18h da Globo, Orgulho & Paixão. E também muitos livros de gastronomia. Desde o ano passado, seu nome voltou ainda mais à tona, em decorrência do 200º aniversário de sua morte, ocorrida em 18 de julho de 1817. Embora a comida não esteja tão presente nos livros da autora famosa, aparece em profusão nas cartas que enviou à sua irmã Cassandra, incluindo jantares, piqueniques e chás acompanhados de bolo de ameixa, pão de gengibre e maçãs assadas.
Ao entender e recriar seus pratos favoritos, parece que ganha-se um certo nível de intimidade com ela. Tanto que vários livros têm sido lançados mundo afora e diversos eventos comemorativos vêm sendo realizados no Brasil, a exemplo do encontro na Deli Delícia, no Rio de Janeiro, no último dia 8 de maio, como parte do projeto ‘Degustando Palavras’, em homenagem aos grandes nomes da cultura mundial. Mais conhecida por enfocar os problemas do casamento da nobreza latifundiária no século 18, Jane Austen também escreveu obsessivamente sobre comida nas cartas pessoais. Ela não cozinhava, porém sabia exatamente como dirigir os cozinheiros.
A comida em seus romances é de dar água na boca. Jane convida o leitor a saborear tanto o alimento quanto a caracterização quando descreve o lombo de porco assado que a Sra. Bates desfruta e o Sr. Woodhouse estremece, ou o luxuoso chocolate quente que o General Tilney toma aos goles no café da manhã. Em algumas cenas “gastronômicas”, ela fala de pratos típicos da sua época _picado de galinha, ostras recheadas, ovos cozidos e torta de maçã, entre outros.

Maçãs Assadas da Sra. Bates
Ingredientes
4 maçãs de tamanho médio
12 cravos
1 ½ colher de chá de casca de limão
57g ou ¼ xícara de açúcar mascavo
240ml ou 1 copo de vinho tinto ou suco de maçã, dividido

Modo de preparo
Pré-aqueça seu forno a 177 °C. Descasque as maçãs, deixando-as inteiras, e espete os cravos. Coloque-as em uma assadeira ou refratário e polvilhe com açúcar mascavo e casca de limão. Despeje ¾ xícara do vinho ou do suco sobre as maçãs. Asse descoberto por 1 hora. Mexa ocasionalmente, se necessário, para evitar que o líquido queime. Retire as maçãs e coloque-as em pratos. Despeje ¼ xícara de vinho ou suco na assadeira e mexa, formando uma calda. Depois despeje sobre as maçãs e sirva.
(Fontes: Internet e Cooking with Jane Austen and Friends, de Laura Boyle)

Imagem: Retrato by William Beechey

Show de vinhos etc.

Degustações, palestras com profissionais de renome nacional e internacional e workshops vão movimentar o BAHIA VINHO SHOW 2018, no Hotel Vila Galé Salvador, em Ondina, desta quarta, 16, até sexta-feira, 18 de maio, das 15h às 22h. Realizado pelo Clube Gourmet Bahia, o evento terá ainda feira de vinhos do Velho e Novo Mundo. O público é formado por amantes de vinho, enólogos, sommeliers e gestores de empresas do setor. O ingresso custa R$50 por dia, com acesso a toda a programação do evento, além de uma taça para degustar as bebidas. 
Cerca de 15 empresas terão estandes no Bahia Vinho Show 2018, incluindo 12 vinícolas, distribuidoras e importadoras de vinho, disponibilizando mais de 200 rótulos para degustação e venda. Fazem parte da lista de expositores: Natalgest Importações (representa a vinícola portuguesa Quinta de S. Sebastião); ABWines (promete 64 rótulos, entre vinhos e espumantes nacionais e internacionai); quatro vinícolas do Vale do São Francisco _Rio Sol, Bianchetti, Mandacaru e São Benedito
Entre os participantes estarão também a Dieb Import (com 50 rótulos); Araújo Mateus (30 rótulos de diversas partes do mundo); Santa Vitória; Perini e Interfood. Terá, ainda, a presença da Federicci Queijos; Divino Pão (com seus pães de fermentação 100% natural: italiano, ciabatta, focaccia e baguetes etc.) e Superúteis (produtos em couro, como porta vinhos, porta espumantes, jogos americanos, porta copos e cestas). Já a agência Opção Turismo vai promover seus pacotes de enoturismo no Vale do São Francisco.
A programação traz diversas palestras de grandes nomes da área, a exemplo do gastrólogo, consultor, colunista e crítico de vinhos Gilvan Passos, que discorrerá sobre “Lisboa, a Nova Fronteira do Vinho Português”. O consultor de vinhos Antônio Lago, por sua vez, vai contar sobre “Vinhos do Porto - sua origem e história”. Pedro Luz, sommelier português, promete desmitificar a bebida no workshop “Simplificando o Vinho”. E para agitar o evento, o educador em bebidas Alexandre Takei fará uma degustação às cegas.  

Fotos Alex Romano/Divulgação

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Francesíssima, ela foi uma das escritoras que mais celebrou o ato de comer. A ponto de considerar a arte culinária algo sagrado, mágico. Descreveu: “A verdadeira cozinha é feita por quem experimenta, saboreia, sonha um instante, coloca um fio de azeite, uma pitada de sal, uma folha de tomilho; por quem pesa sem balança, mede o tempo sem relógio, observa o assado somente com os olhos da alma e mistura os ovos, a manteiga e a farinha segundo a inspiração, como uma bruxa do bem”.
Sidonie-Gabrielle Colette nasceu na região da Borgonha, em 1873, e ali viveu até o seu primeiro casamento, sob os cuidados e o carinho da mãe, que marcou sua vida afetiva e gastronomicamente. A menina a observava fazendo conservas, queijos encorpados _como o brie_, manteiga etc. Comida simples, porque a verdadeira gastronomia é a que sabe tirar o melhor de um produto modesto. Foram esses sabores fortes e o autêntico gosto camponês que formaram a pequena gourmet.
Um de seus pratos favoritos era Cassoulet (receita abaixo). No decorrer dos anos, o apetite voraz a levou aos 80 quilos. Sua obra é um hino ao estômago. Os seus livros são recheados de aromas e sabores. Em resumo, a vida literária é feita de comida, mas também a vida real. Nos anos de guerra, se a França tem fome, Colette tem muito mais. Obcecada por comer, sobrevive ao racionamento com o que lhe enviam da Normandia duas amigas que cultivam a terra e criam animais. Em 1º de agosto de 1954, quando já não digere alimentos sólidos, tem como sua última refeição uma xícara de sopa de legumes. Ela está radiante, conversa em voz alta com alguma entidade invisível e morre em paz.

Cassoulet
Ingredientes para 4 pessoas
500g de feijão branco seco
200g de pele de porco
1 maço de ervas aromáticas (tomilho, louro, salsinha)
1 cebola grande 
4 cravos-da-índia
Sal e pimenta 
Manteiga
500g de linguiça
700g de paleta de porco
4 dentes de alho
200g de toucinho
Caldo de carne
2 peças de confit de ganso (facultativo)

Modo de preparo
Escorra a água em que o feijão ficou de molho por 12 horas. Toste a pele de porco, coloque os dois ingredientes em uma panela grande, adicione 3 litros de água, o maço de ervas aromáticas e a cebola descascada e cortada em rodelas, espetadas com os cravos-da-índia. Cozinhe por cerca de 1 hora. Coloque sal e pimenta a gosto.
Derreta 30 gramas de manteiga em uma panela, junte a linguiça cortada em pedaços de mais ou menos 10 centímetros e deixe dourar por 10 minutos. Tire da panela, elimine praticamente toda a gordura advinda do cozimento e coloque mais 20 gramas de manteiga, na qual vai dourar a paleta de porco cortada em pedaços. Coloque os dentes de alho triturados e o toucinho cortado em cubinhos, dourando-os por 10 minutos.
Cubra com o caldo de carne quente, ponha para cozinhar e deixe reduzir até a metade. Coloque os ingredientes na panela do feijão e prossiga com o cozimento por mais meia hora. Unte uma forma, coloque no fundo a carne e o feijão escorrido, tire o maço de ervas e ponha os pedaços de linguiça por cima e, se for usar, os pedaços de confit de ganso. Leve ao forno a 220ºC por uma hora, regando aos poucos com 3 colheres (sopa) cheias do caldo da carne filtrado; se o caldo da carne estiver secando rapidamente, cubra o recipiente nos últimos 20 minutos.
(Fonte: A Cozinha das Escritoras, de Stefania Aphel Barzini, Ed. Saraiva)

Foto: André Martin

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Festa com toque cultural

Assistir a um lindo pôr do sol, se jogar na pista de dança e degustar drinks especiais e delícias do restaurante Zanzibar. Pra completar, fazer umas comprinhas espertas. Tudo isso será possível na festa BENDITOS, programada para os dias 19 e 20 de maio (sábado e domingo), das 16h às 23h, na Casa de Castro Alves (foto acima), um casarão histórico de três andares onde o poeta morou quando criança. Com vista privilegiada da Baía de Todos-os-Santos, o local vai reunir arte, cultura, moda e gastronomia.
A ideia desse buxixo é dos empresários baianos Keka Oxossi e Mauro Braga (acima), que prometem reunir uma moçada bacana no centro histórico de Salvador. A dupla pretende criar, uma vez por mês, um espaço ímpar onde todos possam curtir, comer, beber, trocar ideias e adquirir obras de artistas como Bel Borba, Gustavo Moreno e Akira Cravo. Os ingressos serão vendidos no local (Rua do Passo, 52, Santo Antônio Além do Carmo; ao lado da Igreja do Passo), no dia do evento, e custarão R$20 ou R$10 + 1kg de alimento para doação ao Gantois.

Fotos Divulgação

Mimos pra divina mãe

Que tal, em vez de roupa, perfume ou celular, presentear coisas gostosas para comemorar o dia ‘mater’ nesse domingo, 13? A proposta é uma sortida Cesta Café da Manhã da Mamãe, do ATELIÊ DIVINO DOCE, elaborada pela chef confeiteira Isabella Curvello. Para agradar logo cedo, o mimo vem recheado com bebidas, salgados, doces, frutas e acessórios, no valor total de R$350. As encomendas podem ser feitas até às 12h do dia 11/05, sexta-feira. +info: (71) 99256-4521.

Foto Divulgação

Almoço bem decorado

Se a decisão é festejar o domingão do Dia da Mães sem sair de casa, então vale a pena caprichar no décor. Para isso, a expert na arte de receber AMELINHA AMARO tem sugestões muito charmosas. A proprietária da loja DIVINO ESPAÇO, uma das boutiques de decoração mais conceituadas de São Paulo, preparou mesas decoradas exclusivamente para a ocasião. Ela indica a escolha de elementos que traduzam a personalidade de cada mamãe, e incentiva o uso da criatividade e a colaboração de todos os familiares. “Isso torna cada mesa algo único”, explica. +info: www.divinoespaco.com.br.
Fotos Divulgação

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Se “a amizade é o sal da vida”, a do famoso escritor baiano era bem salgada, no melhor sentido. “Nos domingos pela manhã”, afirma a escritora Myriam Fraga, “os Amados recebiam os amigos para um vinho, uma batida, uma cerveja e uns tira-gostos (entenda-se a expressão em sentido bem amplo, pois iam de acarajés a pernis de porco). Esses encontros muitas vezes transformavam-se em almoços. Frequentadores nacionais e estrangeiros movimentavam a conversa, trocavam opiniões sobre o dia a dia, a política e as artes”. Entre eles estavam: Dorival Caymmi, Carybé, João Ubaldo Ribeiro, Floriano Teixeira, Vinicius de Moraes, Maria Creuza, Genaro e Nair de Carvalho, Dias Gomes, Sônia Braga, Chico Anysio, Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir, Harry Belafonte, Roman Polanski e muitos, muitos outros.
No prefácio de um dos livros mais célebres, Dona Flor e Seus Dois Maridos, Jorge Amado escreve: “Sendo o autor, em matéria de culinária, apenas comilão, deve ele agradecer às suas boas amigas dona Carmen Dias, dona Dorothy Alves e dona Alda Ferraz, três mestras da grande arte, que forneceram receitas para a Escola de dona Flor, algumas das quais reproduzidas no romance com os ingredientes precisos e as medidas justas, podendo assim servir a quem deseje utilizá-las para os petiscos suculentos _sem no entanto garantir o autor pelos resultados pois, para a arte culinária, não bastam os materiais e suas quantidades; sem o gênio dos temperos, sem a vocação dos molhos, sem a intuição do ponto exato, ninguém chega ao paladar de dona Flor”. Uma dessas receitas é o Vatapá “para servir a dez pessoas (e para sobrar como é devido)”.
Além dos saborosos quitutes e merendas de dona Flor, também a personagem título de Gabriela, Cravo e Canela é exímia no fogão e encanta seu Nacib e seus clientes do Bar Vesúvio. As tradicionais iguarias baianas presentes na obra do escritor foram reunidas no livro A Comida Baiana de Jorge Amado, assinado por sua filha, Paloma Jorge Amado. A publicação, lançada há mais de 20 anos e reeditada recentemente pela chef Rita Lobo, traz receitas históricas e outras mais práticas. Entre elas, a Cocada Branca (receita abaixo).

Cocada Branca
Rende 20 unidades
Tempo de preparo: 50min para a calda + 15min na panela + 2h na geladeira
Ingredientes
1 ¾ de xícara (chá) de açúcar
2 xícaras (chá) de água
3 xícaras (chá) de coco fresco ralado
Açúcar para polvilhar

Modo de preparo
Numa panela, coloque o açúcar com a água e misture com o dedo indicador até dissolvê-lo. Leve ao fogo médio e deixe cozinhar por 50 minutos, sem mexer, até que fique em ponto de bala mole. Caso as laterais comecem a queimar, pincele um pouco de água na panela. Para testar o ponto, coloque uma colherada da calda (use uma colher de chá) num copo com água bem gelada; se endurecer, está no ponto.
Retire a panela do fogo e junte o coco ralado. Volte ao fogo baixo e deixe cozinhar por 15 minutos, mexendo de vez em quando. Enquanto a cocada cozinha, forre uma assadeira com papel-manteiga e polvilhe com açúcar, cerca de ¼ de xícara (chá). Desligue o fogo e misture bem a cocada, até esfriar. Com duas colheres, transfira montinhos de cocada para a assadeira. Cubra a assadeira com filme e leve à geladeira por 2 horas ou até que endureça.
(Fontes: Catálogo Arquivo Fotográfico Zélia Gattai Vol. 2 Casa do Rio Vermelho, Os Amigos, Fundação Casa de Jorge Amado; Dona Flor e Seus Dois Maridos, Ed. Record; A Comida Baiana de Jorge Amado, de Paloma Jorge Amado, Ed. Panelinha)